
Porque é que a alma
ainda dói
Partiste deste porto há tanto tempo
Fizeste tantos danos com os teus ventos
Mataste tantos momentos que queria viver
Fizeste viver tantos que queria esquecer
Deste alegrias que me obrigaram a sentir
A ter sangue nas veias
A ter coragem para persistir
E inovar e tentar ir mais além
Mas que levaste contigo
Com o vento que arrasou a casa
Levou com ele todos os pedaços que restavam
As alegrias que deste…
As maravilhas com que me presenteaste
Disseste que nunca fugirias
Mas foste… e eu fiquei…
Fui arrastado pela carroça
Que esperava que me pudesse levar até ti
Mas apenas um pesadelo vivi
Os caminhos cada vez mais se afastam
Levam ao ponto sem retorno
Agora por onde sigo?
Onde viro o meu caminho?
Sinto o corpo apartar-se
A mente vagueia
Vou perdido neste trilho de letras…
Confusão, este sentimento que ainda marca
Marca a cada momento que vivo os pequenos sítios
Sítios onde estás presente,
Onde a tua marca não se apagou
Ainda procuro a tua presença
Mas não estas lá
Apenas o teu cheiro ficou
E uma imagem indefinida que não consigo tocar
Fecho os olhos, sinto o cheiro no ar
Dou pequenos passos, um de cada vez
Para que a queda não seja tão grande
E começo a escrever uma história
História onde eu serei a personagem principal.
Onde a existência não seja para ti tão banal
E eu possa voltar a voar em cada letra,
Sentir de novo calor em mim
E viver esta passagem sem limites…