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O Livro

 

 

Um pedaço de cristal desce o meu rosto
Uma última nota ecoa no silêncio
Que se cala depois de tudo posto.
As águas que correm agora no rio,
São ventos de mudança
Que esperam metamorfose na intemperança…
Intemperança que permeia o ar.
Com um cheiro de doce amargura…
Tudo é tão dissimulado,
Tão cheio de hipócrita sinceridade…
Sim, oh! Quão má esta realidade…
Cheia de desilusão e amor desprezado.
Custa-me olhar através das minhas janelas
E ver apenas tristes figuras, dissimulando passos,
Tentando agarrar o tempo com redes,
Quão ignorantes…
Não sabem que o tempo pertence a Cronos,
Como o mar a Poseídon?
Cometem erros tão crassos…
Querem juntar o tempo, e manobrá-lo,
Querem quebrá-lo, moldá-lo…
Mas o tempo é uma linha recta que não pára,
Não reduz, nem aumenta, uma constante…
A mais constante…
Não quero parar o tempo
Nem tão pouco domá-lo
Quero viver cada simples pedaço de escrita
Para que possa acabá-lo
Escrevendo o diário da minha vida
Com a minha expressão…